segunda-feira, 30 de março de 2009

e eu bebo veneno pelos olhos


















e eu bebo veneno pelos olhos
quando vejo a tua forma de partir
que ela se torna numa larva preta
a espuma do mar fervente em cada mão
o desiderato rumo dessa casa feita
a linha errada em cada palma, o não
estarmos à roda desfibrada estreita
limita o mar que nos fareja o cão.
distúrbio funcional, minha malignidade
espectro desse quarto quando um morto
vagueava entre vivos a nos aterrorizar
humores, forma aquosa, vítrea,
e cristalina capa de estampadas letras.
eras superfície, punção, a gata morta
no leva e traz das ondas da maré
marco divisório de teus passos.

(Bournemouth, UK, 19 de agosto de 2007)

3 comentários:

Jefferson Bessa disse...

lindo poema de fortes imagens. O primeiro verso é fantástico: "e eu bebo veneno pelos olhos".

Abraços.

Maria Costa disse...

Gostei muito de reler aqui este poema.

ROGEL SAMUEL disse...

OBRIGADO, AMIGOS, PELA LEITURA, ESTE POEMA ESPELHA UM MOMENTO POR QUE EU PASSAVA, A SOLIDÃO QUE EU SENTIA EM BOURNEMOUTH, UK, ONDE ESTIVE POR MAIS DE UM MÊS ASSISTINDO A UM SEMINÁRIO. EU MORAVA NUM LUGAR ERMO, ISOLADO, HAVIA UMA FLORESTA E ERA LONGE DE TUDO.